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A compra mais cara

Desde muito cedo compramos ideias. Compramos sonhos. Compramos ideais.
Compramos nossos gostos, pagamos pra que nos digam o que é bom e o que não é.
Compramos o que nos diverte.
Compramos os nossos valores.
Compramos o nosso caráter.

A moeda de troca é uma só: liberdade.
Trocamos a liberdade de escolher o que quisermos para a nossa vida, para viver o que nos disseram que devemos, para viver o que nos disseram que é bom. Para viver o que nos disseram que queremos.
Deixamos de ser livres e de experimentar tudo, tudo o que realmente quisermos e pudermos, e deixamos de escolher o que nos agrada e faz bem.
Fazemos o que esperam de nós, porque trocamos nossa liberdade muito cedo, muito antes de termos sequer consciência de saber que o que nos dizem pode não ser o melhor para nós. Antes de termos o discernimento do que é nosso, e do que nos é implantado.

"Você devia fazer o que a sociedade espera de você", disse-me ela, tempos atrás.
Devia?
Por quê?
Acho que já faço o suficiente pela "sociedade", às vezes muito a contragosto. Mas, se exigir mais, sei que sou plenamente capaz de atender, ao mesmo tempo em que sei que não preciso atender, se não for a minha vontade.
Sei que o significado de crescimento diverge entre cada um, e sei que o meu significado não se parece com o da sociedade. "Ordem" é ser eu mesmo. "Progresso" é reconquistar a minha liberdade.

Sigo nessa busca e, cada vez mais, sou quem sou, e não quem aprendi a ser.
E seriam, essas, ideias que eu quereria te vender?

O mergulho

O que me mata não é a incerteza;
Não, a ela já estou acostumada.
Minha vida incerta toma rumos tortuosos,
às vezes tudo, às vezes nada,

Mas o que me fere, sim, em grandes feridas,
É a já esperada inconstância,
Pois tamanha é a minha ânsia
Que corro cego e me perco na estrada.

Sigo na emoção desgarrada,
Inerente ao imaturo,
Porque, da ponta da pedra, mergulho no vazio;

Seja, então, água profunda,
Me receba rápida mas suavemente,
E me envolva em seu abraço tão quente e tão frio.

Banal? Por que não?

Fiz hoje a prova do primeiro dia do ENEM 2014. Peguei o caderno rosa, e uma coisa muito me intrigou:
A frase que deveria ser transcrita era "espalhe que o amor não é banal".
Oras, mas, não é banal?
E porque não haveria de ser?
Banal é ruim?
Quem disse?
E por que espalhar?

Sei que pra muita gente não é nada banal amar. Há gente que não sabe, não descobriu como é. Mas o amor está lá, sempre rodeando.
Não sei como é pra vocês, mas, na minha concepção de mundo ideal, o amor é tão banal quanto respirar: deve ser vivido e sentido a cada momento, consciente ou inconscientemente, rasa ou profundamente, em diferentes graus de quantidade, intensidade, velocidade e qualidade.

(E pra quem negar com o argumento "ah, Lawisch, mas tu é suspeito pra falar, tu tá amando!", fica aqui o questionamento: quando eu não estou? Só está diferente em quantidade, intensidade, velocidade e qualidade!)

Enfim, não consigo uma estrutura coesa hoje, mas quero que fique a ideia: amem e permitam ser amados. Não esperem ser correspondidos, mas rejubilem-se quando forem. Apenas amem, sejam felizes e melhorem o mundo.

Pois que se curve o espaço!

Há um tempinho, conheci uma garota.
Já havia ouvido falar; todos comentavam sua beleza, sua elegância.
Ninguém, entretanto, falava com a propriedade de quem a conhece.

Me apresentei.
Não é costumeiro, mas me apresentei.
Timidamente, embora parecesse o mais confiante ser que respirava naquele momento.
E foi assim, tímidamente, que conversamos.
E foi homeopaticamente que seguimos nos conhecendo.
A cada dia, a cada conversa, um novo mistério, uma nova surpresa que se revela.
Sempre bom, sempre fascinante.

Os dias desde que a conheci nunca têm sido tediosos.
Posso rasgá-la de elogios, e tudo o que ela vai fazer é rir, da situação, da minha cara, e emendar um outro assunto.
Posso xingá-la, e ela vai rir igualmente.
Posso perguntar o que for, já sabendo que a resposta vai ser misteriosa.
Ela nunca se revela por inteiro.
Esse é, na verdade, apenas um de seus vários encantos.
E ela é tão encantadora!

Gostaria que mais gente a visse dessa forma, eu acho.
Sempre há aquele ciúme bobo, aquele "eu a descobri, saiam de perto, meros mortais".
Mesmo assim, gosto quando mais alguém percebe suas qualidades fluírem nas mais variadas formas.

Enfim, estou tão próximo, trouxe ela pro meu mundo;
E ela é um universo.

Será que cabe?

Um aniversário

Hoje é aniversário da mulher da minha vida.
Da mulher que sabe dar valor e significado ao que é ser mulher.
Da mulher que me inspira.
Da minha guerreira.
Daquela que me faz seguir em frente.
Daquela que me dá a mão e me levanta sempre que eu caio.
Daquela que avisa, e depois não deixa de lembrar: "eu avisei".
Daquela que compartilha comigo toda a felicidade.
Daquela que divide comigo os pesados fardos provenientes do simples fato de estarmos vivos.
Daquela em cujo lar eu chego, tarde da noite, e sou recebido com um sorriso e um convite para um café.

Hoje é aniversário da minha mãe.

Obrigado por me ter trazido a esse mundo, por ter me carregado dentro de ti, e nos teus braços, como por vezes ainda carrega.
Espero que se reflitam em ti as lágrimas de alegria que rolam agora nas maçãs do meu rosto.
Esse é só mais um, de muitos anos de uma vida completa em todos os fatores.
Plenitude, minha mãe.

Eu te amo!


Dos vampiros dolorosos

Sobre o vídeo de decapitação a facadas que fizeram questão de que eu visse, hoje: qual a necessidade?
Não foi a violência e brutalidade que me chocaram, tampouco a naturalidade com que os executores o fizeram, mas duas coisas muito me incomodaram: 1) por que, depois de tantos anos de evolução, de socialização, de pacificação, ainda há áreas em que o comum é a vida na ponta da faca, na brutalidade extrema, fazendo da violência o quotidiano? e 2) por que, diabos, é grande a parcela da população que não vive a violência, mas que dedica seu tempo a procura-la, seja virtualmente, em jogos e filmes, seja buscando imagens de acidentes e brutalidades, seja dando aquela reduzida na velocidade do carro para tentar ver a causa de um engarrafamento.
(Não, moralista aqui não tem vez, só lamento)
As pessoas vivem viciadas nessa vibe de tristeza, de violência, de desgraça. É ocorrer a tragédia, já se aglomera a multidão querendo "se alimentar" de toda a dor que puder observar.

Será tão difícil se desviciar dessa coisa ruim, toda? Lembro que não foi, há anos, para mim. Mas cada um tem seus vícios e virtudes.
Só espero mais amor, por favor.

Da confiança

À medida que os tempos passam e os ciclos se encerram, percebo os erros que cometi.
Percebo, principalmente, as confianças que depositei nas pessoas erradas.

Mas, o que fazer quando sei que estou, no presente momento, depositando toda minha confiança em uma pessoa que não é digna dela? Em alguém que distorce verdades e acrescenta pitadas cruéis e inverídicas simplesmente para causar a discórdia? Em alguém que tem a cara de pau de me dizer que é amigo, mas, na primeira oportunidade, trai ao inventar traições e inverdades?

Começo a me perguntar até que ponto sou facilmente manipulável, e até que ponto sou preguiçoso e desleixado de não validar informações.
E o mesmo pras outras pessoas: o quão ingênuas e descríticas são, a ponto de não perceber as inverdades que lhes são apresentadas.

Sei lá, apenas um desabafo amargo.