Postagens

Mostrando postagens de Outubro, 2012

Comunicado de falecimento

Um grande amigo meu, desde a infância, faleceu essa manhã. Tô puto, inconformado, mas não posso fazer muito. Meu texto se encontra nos comentários da notícia:

http://wp.clicrbs.com.br/ultimasnoticias/2012/10/21/estudante-universitario-morre-em-acidente-em-porto-alegre/?topo=52,1,1,,171,e171

Mais adiante eu discorro mais, tanto sobre esse ano cabreiro quanto sobre a estupidez crescente dessa população mal-informada.

Da fragmentação de informações

A fragmentação é, hoje, corrente. Achamos normal ter apenas pedaços de informação e, a partir daí, calcularmos a informação completa, tirarmos nossas conclusões sem, contudo, saber se temos a informação correta. A televisão, a internet e os outros meios midiáticos, por si só, já operam nesse sentido, economizando, assim, espaço e tempo, mas esbanjando possibilidades de desinterpretação.
Nesse contexto, desenvolvemos uma interessante capacidade de conviver com e tomar decisões e agir baseados em informações incertas. Tornamo-nos extra-adaptáveis, pois tudo é variável, uma vez que até o que é tomado como constante se altera. Isso é visto na ciência, por exemplo, sobre a qual agora temos a opinião de que não é definitiva; muta, se altera, comprova e descomprova suas bases e se renova, num ciclo infinito de novas informações, o que, muitas vezes, faz com que as obsoletas sejam descartadas. Entretanto, o que é obsoleto, vez por outra, é retomado, restruturado, repintado e reapresentado como correto, exibindo alguns fragmentos do original. Por essas características, desconstruímos a história; perdemos, em maioria, a noção prática de linha de tempo e contexto histórico. Perdemos, junto, a capacidade de relacionar os fatos e seus motivos, mas, como já é costume, os motivos não importam mais, pois se desconstroem com a mesma facilidade com que são construídos.
Enfim, toda experiência acumulada é válida, uma vez que serve tanto como base para interpretarmos e construirmos as informações a partir dos fragmentos apresentados, como para transformarmos toda essa experiência em novas informações, para que sirvam de motores desse ciclo (infinito?) de construção, fragmentação, síntese, desconstrução e reconstrução.


(Texto feito para a disciplina de Sociologia. Para melhor entendimento, ler TOMAZI, Nelson Dacio. SOCIOLOGIA PARA O ENSINO MÉDIO. p. 21. Editora Atual)

Brasil e o carrocentrismo atrasado

Brasil e o carrocentrismo atrasado

Vivo em um país essencialmente carrocentrista. Desde os "anos dourados" do governo de Juscelino Kubitschek, praticamente todo o capital destinado para a infraestrutura de transportes é investido em rodovias, viadutos e pontes, ignorando as já existentes ferrovias que cruzam o país. Além disso, impera a cultura de que ter seu meio de transporte próprio e usá-lo individualmente é o melhor a fazer.
Todos os dias vejo, no trânsito da cidade onde vivo, localizada na região metropolitana de Porto Alegre, engarrafamentos insolúveis, causados parte pela má educação dos motoristas, parte pelo excesso de veículos transitando pelos mesmos espaços nos mesmos horários. Essa quantidade significativa de veículos se dá pelo grande número de incentivos que são dados pelo governo brasileiro para que o povo possa comprar seu carro próprio, o que faz com que a frota cresça rapidamente e não caiba nas rodovias. Se não houvesse tamanho esforço da parte do governo, não haveria, talvez, tamanho crescimento no número de veículos circulando, e seria possível que o trânsito flua livremente.
Outro problema é que a frota, além de numerosa, é atrasada. Segundo dados de agosto de 2010, 40% dos veículos em circulação rodam há mais de dez anos. São veículos mais lentos, poluentes e inseguros. Certamente esse número é alto porque carros antigos são isentos do IPVA. Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior à época da realização do estudo, defendeu a adoção do modelo utilizado no Japão: isentar os veículos novos, cobrando impostos apenas pelos carros antigos, maiores causadores de problemas, segundo suas palavras. Desse modo, deixa de ser mais barato circular com veículos antigos, o que faz com que a frota se renove e garanta, se não a sua diminuição, pelo menos maior segurança e, com isso, maior fluidez.
Através dessas medidas, haveria, sim, melhora na qualidade do transporte rodoviário, tornando possível que o carrocentrismo continue a existir. Assim, não se fazem necessárias mudanças drásticas nem tampouco se desperdiça os investimentos já realizados, permitindo que todo cidadão possa transitar livremente com mais segurança e conforto.

Referência:
JORGE, Miguel. In: BARROS, Guilherme. Ministro defende imposto para carro velho. Disponível em: http://colunistas.ig.com.br/guilhermebarros/2010/08/03/ministro-defende-imposto-para-carro-velho/. Acesso em 11/10/2012.


(Texto feito para a disciplina de História, mas com opinião tamanha que merece estar aqui)

Calma

Para aqueles que pensam que penso em suicídio, não estão, em hipótese alguma, errados. Penso, sim, e repenso, várias vezes. É tentador.
É tentador porque resolveria o problema que mais me inquieta. E falo de solução, sim, e não de fuga. Resolveria.
Mas, de que me adiantaria? Teria resolvido o mal que me aflige, mas não estaria aqui para beneficiar-me disso!
Logo, peço calma. A depressão é o meu caminho; um caminho tortuoso por entre pedras e espinhos, mas que me faz chegar vivo ao final, onde o cume me espera, com a mais bela das vistas.
E tudo não passaria de ilusão.

Como um apertão no saco

É, bem isso! Toda a pressão sufocante, vinda de todos os lados, que me impossibilita de correr, de fugir, de gritar!
Toda essa falta de limites! Pessoas não sabendo onde termina a brincadeira, pessoas não sabendo onde o assunto se esgota, pessoas insistindo que acreditemos nas mentiras que contam para si mesmas, pessoas cobrando muito mais do que estão dispostas a ajudar a fazer, pessoas esquecendo que nosso tempo é finito!
E assim as coisas quebram. E assim a diversão acaba, e só o que me resta é a sujeira para limpar, os cacos para reunir.
E a distância... Ah!, essa distância! Tão perto que sinto seu cheiro, mas tão longe que é como se um muro de pedras estivesse entre nós.
Meu maior medo? Ah, a despedida. Olhar pra trás e ver que foi bom, mas que houve tamanho desperdício de tempo entre as partes boas. E é assim que, pouco a pouco, vou morrendo.
De dentro pra fora.