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Pois que se curve o espaço!

Há um tempinho, conheci uma garota.
Já havia ouvido falar; todos comentavam sua beleza, sua elegância.
Ninguém, entretanto, falava com a propriedade de quem a conhece.

Me apresentei.
Não é costumeiro, mas me apresentei.
Timidamente, embora parecesse o mais confiante ser que respirava naquele momento.
E foi assim, tímidamente, que conversamos.
E foi homeopaticamente que seguimos nos conhecendo.
A cada dia, a cada conversa, um novo mistério, uma nova surpresa que se revela.
Sempre bom, sempre fascinante.

Os dias desde que a conheci nunca têm sido tediosos.
Posso rasgá-la de elogios, e tudo o que ela vai fazer é rir, da situação, da minha cara, e emendar um outro assunto.
Posso xingá-la, e ela vai rir igualmente.
Posso perguntar o que for, já sabendo que a resposta vai ser misteriosa.
Ela nunca se revela por inteiro.
Esse é, na verdade, apenas um de seus vários encantos.
E ela é tão encantadora!

Gostaria que mais gente a visse dessa forma, eu acho.
Sempre há aquele ciúme bobo, aquele "eu a descobri, saiam de perto, meros mortais".
Mesmo assim, gosto quando mais alguém percebe suas qualidades fluírem nas mais variadas formas.

Enfim, estou tão próximo, trouxe ela pro meu mundo;
E ela é um universo.

Será que cabe?

Um aniversário

Hoje é aniversário da mulher da minha vida.
Da mulher que sabe dar valor e significado ao que é ser mulher.
Da mulher que me inspira.
Da minha guerreira.
Daquela que me faz seguir em frente.
Daquela que me dá a mão e me levanta sempre que eu caio.
Daquela que avisa, e depois não deixa de lembrar: "eu avisei".
Daquela que compartilha comigo toda a felicidade.
Daquela que divide comigo os pesados fardos provenientes do simples fato de estarmos vivos.
Daquela em cujo lar eu chego, tarde da noite, e sou recebido com um sorriso e um convite para um café.

Hoje é aniversário da minha mãe.

Obrigado por me ter trazido a esse mundo, por ter me carregado dentro de ti, e nos teus braços, como por vezes ainda carrega.
Espero que se reflitam em ti as lágrimas de alegria que rolam agora nas maçãs do meu rosto.
Esse é só mais um, de muitos anos de uma vida completa em todos os fatores.
Plenitude, minha mãe.

Eu te amo!


Dos vampiros dolorosos

Sobre o vídeo de decapitação a facadas que fizeram questão de que eu visse, hoje: qual a necessidade?
Não foi a violência e brutalidade que me chocaram, tampouco a naturalidade com que os executores o fizeram, mas duas coisas muito me incomodaram: 1) por que, depois de tantos anos de evolução, de socialização, de pacificação, ainda há áreas em que o comum é a vida na ponta da faca, na brutalidade extrema, fazendo da violência o quotidiano? e 2) por que, diabos, é grande a parcela da população que não vive a violência, mas que dedica seu tempo a procura-la, seja virtualmente, em jogos e filmes, seja buscando imagens de acidentes e brutalidades, seja dando aquela reduzida na velocidade do carro para tentar ver a causa de um engarrafamento.
(Não, moralista aqui não tem vez, só lamento)
As pessoas vivem viciadas nessa vibe de tristeza, de violência, de desgraça. É ocorrer a tragédia, já se aglomera a multidão querendo "se alimentar" de toda a dor que puder observar.

Será tão difícil se desviciar dessa coisa ruim, toda? Lembro que não foi, há anos, para mim. Mas cada um tem seus vícios e virtudes.
Só espero mais amor, por favor.

Da confiança

À medida que os tempos passam e os ciclos se encerram, percebo os erros que cometi.
Percebo, principalmente, as confianças que depositei nas pessoas erradas.

Mas, o que fazer quando sei que estou, no presente momento, depositando toda minha confiança em uma pessoa que não é digna dela? Em alguém que distorce verdades e acrescenta pitadas cruéis e inverídicas simplesmente para causar a discórdia? Em alguém que tem a cara de pau de me dizer que é amigo, mas, na primeira oportunidade, trai ao inventar traições e inverdades?

Começo a me perguntar até que ponto sou facilmente manipulável, e até que ponto sou preguiçoso e desleixado de não validar informações.
E o mesmo pras outras pessoas: o quão ingênuas e descríticas são, a ponto de não perceber as inverdades que lhes são apresentadas.

Sei lá, apenas um desabafo amargo.

Textos que não foram, mas poderiam ter sido

Os próximos dois textos escrevi escondido. São realidades alternativas a duas situações pesadas que me ocorreram tempos atrás. Não tem porque mantê-los guardados, sem serem lidos.


Quero sumir, quero fugir, correr
Estou fechado para balanço, não dá para entender?
Você sempre retorna, tentando cobrar
O tempo que eu não tenho, o tempo que não posso dar,
E aquela ajuda que eu sempre te dei
Que, now, it's over, find your own way

Me deixe só, se for para ser assim.
Se assim for, fique longe de mim.
Não aceito mais a jaula, a prisão
A coleira tão apertada, te mordo a mão!
Uma mão que já não mais me alimenta
E que quando me afaga, só gera tormenta
Não quero mais nada disso tudo, de nós
E se negar, juro e corro após
Porque sei que se eu partir, nunca me alcançarás
Nem ao menos me encontrarás
Porque eu muito longe estarei
Naquele lugar que, você sabe, eu sempre sonhei
E que nunca tive a coragem de ir
Mas que, se eu for, sei que sempre poderei sorrir.
Que esse seja nosso último adeus.






Doente

Ela era doente.
Ela era doente, e ninguém sabia.
Escondeu tão bem que nem ela mesma chegou a descobrir, até que já não havia mais o que fazer.
E então, num lindo dia de sol e névoa, num dia com atmosfera misteriosa, descobriu. Sentiu as forças esvaindo-se, de súbito. Caiu, ante sua fraqueza. Quase pereceu.
Uma vez acordada, atada a uma cama de hospital, bipes, cliques, químicos, luzes brancas, roupas brancas, almas brancas de expressão vazia como o branco, soube que era alguém.
Percebeu, no vazio de cada um que ali estava, o quão cheia era, o quão plena e completa sempre foi.
E, mesmo em sua condição, sentiu pena de todos eles, que desperdiçam continuamente suas vidas em não viver. Lhes falta a vivacidade e o ânimo, lhes falta tudo, apesar de pensarem que não lhes falta nada.
Assim, sorriu triste.
Soube que, apesar de todo o mal que lhe afligia, estava feliz. Soube que, apesar de sua aparência tranquila, cada um dos que ali estava nada sabia de si. E isso lhe libertou.
Foi, adormecida com o melancólico sorriso de um doente livre.
Que vá em paz, plena e bela alma.

Das mudanças

Tão mágicas, elas
Elas, que me fazem crescer
Elas, que me evoluem, me fazem trazer meu melhor em cada aspecto.

Elas, que me alegram
Elas, que me trazem aquele dinamismo
Elas, que enchem meus olhos e a cabeça de sonhos
Elas, sempre elas

Elas, que me fazem criar
Elas, que me fazem desenvolver, trazer ao mundo o que puder de bom
Elas, que me fazem escrever versos sem nexo, desconexos, atirados nesse papel velho e amassado, só para mudá-lo, trazê-lo seu merecido valor.

Elas.
Sempre elas.

That woman I know

Once I met a woman. She was so strong, so beautiful. I was in love, indeed. Her look, her warmth, her smell. The way she waited for me. And I waited for her, for so long! It is so that I fell in love with her before I even knew her.
We lived together. A long time, also. She made me know things. Experiment. We had our ups and downs. In our particular lives. Between us. And, even so, we never got caught in the temptation of just stop trying. We're tied from the very first beggining.
We may not be doing so well lately, but I still miss her. I still love her.
Mom, please, don't give up on me!

With love,
your son