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Da confiança

À medida que os tempos passam e os ciclos se encerram, percebo os erros que cometi.
Percebo, principalmente, as confianças que depositei nas pessoas erradas.

Mas, o que fazer quando sei que estou, no presente momento, depositando toda minha confiança em uma pessoa que não é digna dela? Em alguém que distorce verdades e acrescenta pitadas cruéis e inverídicas simplesmente para causar a discórdia? Em alguém que tem a cara de pau de me dizer que é amigo, mas, na primeira oportunidade, trai ao inventar traições e inverdades?

Começo a me perguntar até que ponto sou facilmente manipulável, e até que ponto sou preguiçoso e desleixado de não validar informações.
E o mesmo pras outras pessoas: o quão ingênuas e descríticas são, a ponto de não perceber as inverdades que lhes são apresentadas.

Sei lá, apenas um desabafo amargo.

Textos que não foram, mas poderiam ter sido

Os próximos dois textos escrevi escondido. São realidades alternativas a duas situações pesadas que me ocorreram tempos atrás. Não tem porque mantê-los guardados, sem serem lidos.


Quero sumir, quero fugir, correr
Estou fechado para balanço, não dá para entender?
Você sempre retorna, tentando cobrar
O tempo que eu não tenho, o tempo que não posso dar,
E aquela ajuda que eu sempre te dei
Que, now, it's over, find your own way

Me deixe só, se for para ser assim.
Se assim for, fique longe de mim.
Não aceito mais a jaula, a prisão
A coleira tão apertada, te mordo a mão!
Uma mão que já não mais me alimenta
E que quando me afaga, só gera tormenta
Não quero mais nada disso tudo, de nós
E se negar, juro e corro após
Porque sei que se eu partir, nunca me alcançarás
Nem ao menos me encontrarás
Porque eu muito longe estarei
Naquele lugar que, você sabe, eu sempre sonhei
E que nunca tive a coragem de ir
Mas que, se eu for, sei que sempre poderei sorrir.
Que esse seja nosso último adeus.






Doente

Ela era doente.
Ela era doente, e ninguém sabia.
Escondeu tão bem que nem ela mesma chegou a descobrir, até que já não havia mais o que fazer.
E então, num lindo dia de sol e névoa, num dia com atmosfera misteriosa, descobriu. Sentiu as forças esvaindo-se, de súbito. Caiu, ante sua fraqueza. Quase pereceu.
Uma vez acordada, atada a uma cama de hospital, bipes, cliques, químicos, luzes brancas, roupas brancas, almas brancas de expressão vazia como o branco, soube que era alguém.
Percebeu, no vazio de cada um que ali estava, o quão cheia era, o quão plena e completa sempre foi.
E, mesmo em sua condição, sentiu pena de todos eles, que desperdiçam continuamente suas vidas em não viver. Lhes falta a vivacidade e o ânimo, lhes falta tudo, apesar de pensarem que não lhes falta nada.
Assim, sorriu triste.
Soube que, apesar de todo o mal que lhe afligia, estava feliz. Soube que, apesar de sua aparência tranquila, cada um dos que ali estava nada sabia de si. E isso lhe libertou.
Foi, adormecida com o melancólico sorriso de um doente livre.
Que vá em paz, plena e bela alma.

Das mudanças

Tão mágicas, elas
Elas, que me fazem crescer
Elas, que me evoluem, me fazem trazer meu melhor em cada aspecto.

Elas, que me alegram
Elas, que me trazem aquele dinamismo
Elas, que enchem meus olhos e a cabeça de sonhos
Elas, sempre elas

Elas, que me fazem criar
Elas, que me fazem desenvolver, trazer ao mundo o que puder de bom
Elas, que me fazem escrever versos sem nexo, desconexos, atirados nesse papel velho e amassado, só para mudá-lo, trazê-lo seu merecido valor.

Elas.
Sempre elas.

That woman I know

Once I met a woman. She was so strong, so beautiful. I was in love, indeed. Her look, her warmth, her smell. The way she waited for me. And I waited for her, for so long! It is so that I fell in love with her before I even knew her.
We lived together. A long time, also. She made me know things. Experiment. We had our ups and downs. In our particular lives. Between us. And, even so, we never got caught in the temptation of just stop trying. We're tied from the very first beggining.
We may not be doing so well lately, but I still miss her. I still love her.
Mom, please, don't give up on me!

With love,
your son

A cópia de uma possível cópia

Creio que seja o primeiro texto copiado aqui do blog. Não que eu não vá mais produzir conteúdo, ou que essa será uma prática recorrente. Apenas achei um texto extremamente válido.
Peguei em uma publicação cuja existência foi breve, pois a autora (da publicação e, possivelmente, do texto) só disponibilizou-a por alguns minutos. Tive a sorte de estar ali, no momento certo, para ler palavras certas. Espero que ela não se zangue por eu tê-las reproduzido. Obrigado, dona Jhô ;)

"Sou dessas.
De poesias manchadas no guardanapo que interrompem bate-papo de bar. De foto três por quatro morando na carteira. De choro. De olho no olho. De amor à primeira vista. De gostar de abraços largos. De não dá-los. De vontades que explodem e preenchem o caminho de volta para casa, me fazendo perder o rumo. De madrugadas. De planos abertos pelo retrovisor do carro. De baixar a cabeça e fugir para o balcão. Duas cervejas e um copo. De dedos costurados dentro de uma sala de cinema escura. De nuca. De nunca mais vou beber. De flerte no meio de trombadas. De meias palavras. De tudo escrito. De tudo acabado desta vez. De voltar atrás. De olhar de longe. De fingir que não viu. De mentir que não fuça. De declarações duras. De tapas leves. Que dizem verdades. De acreditar em vou aparecer mais. De acreditar mais. De não rasgar fotos. De escrever pessoas em uma bexiga de gás e olhar para o céu enquanto elas se apagam de mim. De cair na mesma história. De novo. Do mesmo jeito. De não prevenir nenhum desgosto. De passar a borracha em um número de telefone. De esquecer que passou. De contar que passou. E esquecer também que contou. De ligações no dia seguinte. De ligações perdidas. De propósito. De alôs mais gagos que convites. Ao vivo. De desligar o telefone e deixar o silêncio dialogar. E de atacar as reticências às páginas brancas. De me conhecer só assim, já que sou dessas que gostam de."


P.S.: Descobri que o texto vem do blog Entre Todas as Coisas, o qual, por vezes, recomendo. Mesmo assim, continuo agradecido à Jhosy por me proporcionar sábia leitura!

Dois toques de corneta

"E eu sei que você sabe, quase sem querer, que eu quero o mesmo que você". Essa frase me pegou desprevenido. Quase que um soco no estômago; uma tontura. Isso porque, ontem à noite, descobri que não sei o que quero. E digo isso não de uma maneira ruim; digo porque sei como quero, mas não sei o que fazer para os devidos fins! Sei que quero o bem e o que é bom. Não quero causar danos; esse sou eu! E, nesse meio, me perco. Me perco, principalmente, em pensamentos. Meu maior perigo.

O Cointreau que agora tomo tem sabor de nostalgia. Seco, da garrafa empoeirada, esquecida no fundo do armário por um pai que não sente nele o mesmo que eu. Talvez porque, para eles, seja apenas uma bebida velha. Para mim, é algo mágico, feito e guardado cuidadosamente por tantos anos. Seu rótulo amarelado, manchado, seco e descascado, exerce sob meus olhos fascínio indescritível. E seu sabor; Ah!, seu sabor... Sabor de saudade, sim! Seco, doloroso. O líquido muito provavelmente é Cointreau há mais tempo do que eu sou Rafael. Seu sabor de memórias antigas, de recordações guardadas, de fotos cuidadosamente arranjadas em uma velha caixa de sapatos que é mantida sobre um velho armário num também velho quarto. São tantos devaneios!

Quero aquele abraço apertado e comprido outra vez. O aconchego do ombro. Mãos geladas, quem sabe?, às vezes vêm a calhar. A solidão de meu quarto, vazio, mesmo com dois viventes em seu interior, me inebria mais que qualquer droga. Mas não mais do que me inebriaria um abraço.
Aquele abraço.

Dos finais

Tudo tem seu fim.
As aventuras, as alegrias, os bons momentos... tudo acaba superado pelo tempo (ou sua falta), pela rotina, pelas tarefas corriqueiras e banais. Assim, tornam-se memórias.
Mas todas as memórias acabam superadas pelo tempo, pelas novidades, pelas más experiências e traumas. Acabam tornando-se esquecimento.
E mesmo o esquecimento, que parece inevitável, inexorável, acaba, por conta de registros, fotografias, memórias de outrem. Ou da morte.

Mas, o que suplanta a morte?

A todos, um "feliz" dia da saudade.