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Ao Jeison, e demais partidários do último GreNal do Estádio Olímpico Monumental

Li via facebook o desabafo desse amigo (http://www.facebook.com/jeison.konrath/posts/579380698742270) e, desde o meio-tempo, tenho vontade de me expressar quanto ao jogo.
Mas, - espera - jogo?
Dá pra chamar o ocorrido dessa maneira? Um misto de espancamentos, intimações, até casos de polícia?
Sim, houve jogo, em alguns momentos. E um jogo pegado, lá e cá. E então começaram as frescuras. Os quebra-quebras. E aí a predominância não foi de jogo, mas de violência.
Como colorado que sou, gostei do fato de meu time ter segurado avidamente o jogo em zero a zero com dois jogadores a menos. Entretanto, esses dois jogadores nem ao menos deveriam ter causado motivos para serem expulsos! Há meios que tornam qualquer fim injustificável, e hoje tivemos grandes exemplos disso!
Fico emputecido com as cornetas coloradas e a raiva gremista após tal resultado. Deveríamos, todos, estar de luto. Luto por um futebol que deixa de ser jogo pra se tornar guerra. Por um futebol que deixa de ser arte para se tornar sangue. Inquietante, no mínimo.
Por fim, deixo minha última opinião, essa não aberta a discussões: mesmo não gostando da arbitragem de Heber Roberto Lopes (em geral, não nesse "jogo" em particular), concordo totalmente com o encerramento precoce da partida. Ele é pago para apitar um jogo. Os jogadores são pagos para jogarem um jogo. Se eles não quiserem jogar, não é obrigação do árbitro perder tempo, paciência e ainda correr riscos físicos. Esse GreNal foi um desperdício.

Morte aos batráquios!

Estava eu, bem belo, colocando meus tênis, quando sinto que estava anormalmente apertado. Estranhando, olho e verifico algo de cores estranhas sobre o fundo preto do meu All Star. Algo marrom esverdeado, de aspecto estranho.
Rapidamente, com a adrenalina correndo a mil pela circulação, retiro o tênis. Eis que um sapo pula de dentro dele. Um grande e asqueroso batráquio.
Vocês podem imaginar minha reação, mas nem de longe sua imaginação poderá conceber a imagem da cena. Seria cômico, se não fosse trágico.
Gritei de susto, e, assim que meu cérebro processou a situação, entrei em choque, dado meu medo exacerbado e irracional de rãs e afins. Levei minutos para me recompor. A Fran, que não assistia a cena e ouviu meus gritos e maldições, correu para meu socorro. Incrédula em primeiro momento, viu o sapo e passou à minha reação: um misto de medo e nojo extremo. Depois, riu. Riu só até eu contar como foi agradável ter um dendrobata ocupando o espaço que deveria ser do peito do meu pé.
É em horas como essa que eu sei que meu coração é saudável.

E eu ainda sinto como se houvesse algo estranho entre meu pé e o topo do tênis. Não hei de deixar meus tênis na garagem da Fran outra vez.

Insuficiente

É, isso mesmo. Não passo disso. Não tenho, eu, a capacidade de fazer alguém feliz apesar dos pesares. Percebo isso nas suas ações. Os abraços não são mais calorosos e desejosos. Os beijos tornaram-se frios e impessoais. Percebo isso no seu humor. Sempre estressada, impaciente, carrancuda. E, por mais que eu tente, não reverto a situação.
E não vejo saída.
Estou me tornando a minha mãe. Estou perdendo a fé nas pessoas. Perdendo a fé nas coisas. Perdendo a fé no universo. Perdendo a fé em mim mesmo.
Sinto que mudanças drásticas hão de ocorrer, e muito em breve. E, para o meu desespero, não vejo nada nesse futuro que me alegre. Vejo a escuridão, e só. Espero que isso seja apenas cegueira.

Não espero que entendam; é um desabafo dirigido e, além disso, meio sem-pé-nem-cabeça.

E, sim, eu só atualizo essa bodega nos momentos de tristeza.

Comunicado de falecimento 2 + Do respeito que as religiões têm para com os outros

É, mais um amigo que se vai. Willian era um guri bom, um cara legal que, mesmo que tímido, dava jeito de alegrar a gurizada, sempre.
Agora não tá mais aí, vítima de uma leucemia que levou à pneumonia. O velório foi pesado, muito mais do que eu poderia imaginar que fosse. Eu tô um caco, preciso descansar direito. Daí o texto a seguir:


É impressionante como se vê os religiosos clamando a quem quiser ouvir que eles são constantemente "atacados" por ateus, que, incrédulos, "não respeitam as religiões". Sim, parte deles não respeita, mesmo, mas... respeito é uma via de mão dupla, então eu pergunto: onde está o respeito dos religiosos para com os ateus, ou mesmo para com quem não é um praticante fervoroso? Porque ouvir "tu vai queimar no fogo do inferno" não é lá uma coisa muito respeitosa...
Pior que isso: hoje é dia de finados. Dia em que não havia desenhos na TV aberta (grande incômodo da minha infância). Dia de vigília, de oração. Dia de silêncio. Mas, espera aí; Se hoje é dia de silêncio, por que raios eu fui acordado às 8:30 da manhã com um som estrondoso (por estrondoso, leia-se "passou a quatro quadras, morro abaixo, da janela, e eu já ia ligar pra portaria pra pedir pro vizinho de baixo reduzir o volume") com uma música cujas únicas palavras inteligíveis foram "Jesus Cristo nos incita, seja missionário"?
Entendo que a passagem da cruz da Jornada Mundial da Juventude por aqui é histórico, e deve, sim, ser bom estar junto dela, objeto que já percorreu tantos lugares e intermediou pedidos e agradecimentos tão fervorosos. Mas isso não justifica a falta de respeito para com os meus ouvidos e de outrem, bem como àqueles que fazem silêncio no dia dos mortos em respeito aos entes que se foram.
Quero, sim, poder dormir, porque só eu sei quanto da minha energia ficou lá no velório, em forma de conforto a quem precisa e de esforço pra, de muletas, estar por lá. Mas, agora que fiquei um tempo acordado com tamanho ruído, dificilmente voltarei a descansar.

Almox Boy, descansa tu, em paz, então, meu querido!

E, a todos, um feliz dia do Saci!

Comunicado de falecimento

Um grande amigo meu, desde a infância, faleceu essa manhã. Tô puto, inconformado, mas não posso fazer muito. Meu texto se encontra nos comentários da notícia:

http://wp.clicrbs.com.br/ultimasnoticias/2012/10/21/estudante-universitario-morre-em-acidente-em-porto-alegre/?topo=52,1,1,,171,e171

Mais adiante eu discorro mais, tanto sobre esse ano cabreiro quanto sobre a estupidez crescente dessa população mal-informada.

Da fragmentação de informações

A fragmentação é, hoje, corrente. Achamos normal ter apenas pedaços de informação e, a partir daí, calcularmos a informação completa, tirarmos nossas conclusões sem, contudo, saber se temos a informação correta. A televisão, a internet e os outros meios midiáticos, por si só, já operam nesse sentido, economizando, assim, espaço e tempo, mas esbanjando possibilidades de desinterpretação.
Nesse contexto, desenvolvemos uma interessante capacidade de conviver com e tomar decisões e agir baseados em informações incertas. Tornamo-nos extra-adaptáveis, pois tudo é variável, uma vez que até o que é tomado como constante se altera. Isso é visto na ciência, por exemplo, sobre a qual agora temos a opinião de que não é definitiva; muta, se altera, comprova e descomprova suas bases e se renova, num ciclo infinito de novas informações, o que, muitas vezes, faz com que as obsoletas sejam descartadas. Entretanto, o que é obsoleto, vez por outra, é retomado, restruturado, repintado e reapresentado como correto, exibindo alguns fragmentos do original. Por essas características, desconstruímos a história; perdemos, em maioria, a noção prática de linha de tempo e contexto histórico. Perdemos, junto, a capacidade de relacionar os fatos e seus motivos, mas, como já é costume, os motivos não importam mais, pois se desconstroem com a mesma facilidade com que são construídos.
Enfim, toda experiência acumulada é válida, uma vez que serve tanto como base para interpretarmos e construirmos as informações a partir dos fragmentos apresentados, como para transformarmos toda essa experiência em novas informações, para que sirvam de motores desse ciclo (infinito?) de construção, fragmentação, síntese, desconstrução e reconstrução.


(Texto feito para a disciplina de Sociologia. Para melhor entendimento, ler TOMAZI, Nelson Dacio. SOCIOLOGIA PARA O ENSINO MÉDIO. p. 21. Editora Atual)

Brasil e o carrocentrismo atrasado

Brasil e o carrocentrismo atrasado

Vivo em um país essencialmente carrocentrista. Desde os "anos dourados" do governo de Juscelino Kubitschek, praticamente todo o capital destinado para a infraestrutura de transportes é investido em rodovias, viadutos e pontes, ignorando as já existentes ferrovias que cruzam o país. Além disso, impera a cultura de que ter seu meio de transporte próprio e usá-lo individualmente é o melhor a fazer.
Todos os dias vejo, no trânsito da cidade onde vivo, localizada na região metropolitana de Porto Alegre, engarrafamentos insolúveis, causados parte pela má educação dos motoristas, parte pelo excesso de veículos transitando pelos mesmos espaços nos mesmos horários. Essa quantidade significativa de veículos se dá pelo grande número de incentivos que são dados pelo governo brasileiro para que o povo possa comprar seu carro próprio, o que faz com que a frota cresça rapidamente e não caiba nas rodovias. Se não houvesse tamanho esforço da parte do governo, não haveria, talvez, tamanho crescimento no número de veículos circulando, e seria possível que o trânsito flua livremente.
Outro problema é que a frota, além de numerosa, é atrasada. Segundo dados de agosto de 2010, 40% dos veículos em circulação rodam há mais de dez anos. São veículos mais lentos, poluentes e inseguros. Certamente esse número é alto porque carros antigos são isentos do IPVA. Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior à época da realização do estudo, defendeu a adoção do modelo utilizado no Japão: isentar os veículos novos, cobrando impostos apenas pelos carros antigos, maiores causadores de problemas, segundo suas palavras. Desse modo, deixa de ser mais barato circular com veículos antigos, o que faz com que a frota se renove e garanta, se não a sua diminuição, pelo menos maior segurança e, com isso, maior fluidez.
Através dessas medidas, haveria, sim, melhora na qualidade do transporte rodoviário, tornando possível que o carrocentrismo continue a existir. Assim, não se fazem necessárias mudanças drásticas nem tampouco se desperdiça os investimentos já realizados, permitindo que todo cidadão possa transitar livremente com mais segurança e conforto.

Referência:
JORGE, Miguel. In: BARROS, Guilherme. Ministro defende imposto para carro velho. Disponível em: http://colunistas.ig.com.br/guilhermebarros/2010/08/03/ministro-defende-imposto-para-carro-velho/. Acesso em 11/10/2012.


(Texto feito para a disciplina de História, mas com opinião tamanha que merece estar aqui)