terça-feira, 7 de julho de 2015

A aerodinâmica do meu rosto

Estava eu na UFRJ, sentado, em um sábado deserto, esperando o ônibus que me levaria à zona sul.
Sentia o vento que batia em meu rosto e me provocava sensações agradáveis.
Lembrava da noite anterior, e da noite anterior à essa, e ria, maravilhado com a velocidade com que toda uma situação ruim transformou-se em uma aventura gostosa de ser vivida.
Eis que, de uma lufada de vento, ergue-se uma onda de areia. Ela cruza a minha frente, sem, entretanto, me tocar, e meu sorriso se alarga.
Pus-me a pensar. Lembrei-me que essa mesma areia que cruzou meu caminho, essa mesma areia sobre a qual caminho, todos os dias, pode ter estado na África, tempos atrás.
Essa mesma areia pode ter estado em Pangeia.
Esse vento que a ergueu pode ter sido um tempestuoso tufão no Japão.
Cada um dos elementos que formam a areia, o ar, e mesmo eu, podem ter se originado nos primeiros acontecimentos do universo.
Uma sensação de pertencimento me invadiu.
Pertenço a esse mundo e tudo pertence a mim, como eu pertenço a tudo.
Encontrei um pouco de mim em cada coisa, desde então.
Me reconhecer me deixa feliz e, portanto, desde esse momento sou só sorrisos.
Sou só amores.
Sou só gratidão.

Minha família se estende além do que eu posso enxergar.
Essa percepção me salvou.
Como diz meu querido amigo Carancho: "o Rio de Janeiro é uma cidade que te engole".
Pois, vai ter que me engolir!

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