domingo, 15 de março de 2015

Um passeio na masmorra

As aulas nem começaram, e eu já comecei a estudar. Cálculo I e Computadores I. Tenho grandes pretensões, e grandes projetos.
Já cansado, resolvi fazer uma pausa. Faxinei um pouco, como de costume, e fui à rua.
Estou hospedado bem atrás do Norte Shopping e, como sou curioso, fui ver como era.
Acontece que, desavisado, não sabia que o Norte Shopping é um fenômeno à parte. É uma construção quase que como a bolsa da Hermione. Construído como uma masmorra, seu tamanho ao adentrar mais e mais profundamente é de impressionar. É tão grande que tem mais de um ponto das mesmas lojas no mesmo andar. Eles até tem um boliche. E um mercado. E uma feira de artesanato. E uma universidade.
Pois é, grande assim. E apinhado de gente. O trânsito lá dentro é complicado. Mesmo assim, tão cheio, não me senti oprimido. Aliás, em todo canto há muita gente e pouco espaço, mas a sensação de aperto é menor que o usual. Não só porque acostuma, mas também porque cada uma das pessoas que está ali está preocupada com suas próprias coisas, e não presta muita atenção. São milhões de solitários dentro da multidão. E foi incrível ver o olhar curioso dos poucos que me notaram. Parecia estar escrito em suas testas: "de onde vem esse cara, alto, cabeludo, com esse chinelo esquisito?".
Sim, aqui sou alto. É engraçado como isso é relativo. Os caras daqui são, em geral, da mesma altura ou mais baixos que eu. Mas não tem a mesma cara de piá.
E o chinelo estranho é a alpargata de sola de corda, que descobri excelente companhia de andanças por aqui.

Não vi nada de manifestação. Sei que ela reuniu muita gente em Copacabana. Também vi no noticiário alguns flashes. Achei muito simples protestar contra o governo morando em um dos edifícios residenciais do Alto Leblon. Bem cômodo.
Também acompanhei via Facebook as manifestações em Novo Hamburgo. Fiquei deveras entristecido, sabendo que a massa de manobra é grande, e que muita gente foi protestar porque acha bonito, e porque tá ruim, sem saber dar reais propostas de solução. Sem nem saber definir o problema e suas origens. Como cantou, ontem, meu amigo e dono do lugar em que estou hospedado: "mais de mil palhaços no salão".

A saudade tem sido misericordiosa comigo, mas tudo o que eu vejo me lembra alguém. A misericórdia está na ausência da dor quando vêm as lembranças.
Tenho me acostumado.

Aliás, hoje ouvi funk por aqui, pela primeira vez. Vinha ali do Complexo do Alemão. Eu Só Quero É Ser Feliz, e depois Rap das Armas, e fechou com Parara Tibum. Fiquei curioso com a variedade de vertentes do funk e da música em geral ouvida hoje. Quem estava no comando é, com certeza, uma pessoa muito eclética.

Amanhã é um novo dia. Torço pra que o trote seja aceitável. E, se não for, é claro: não aceitarei.
Vim pra ser (mais) feliz.
Tudo que não estiver alinhado a isso não pertence à minha estada aqui.

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