segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Dois toques de corneta

"E eu sei que você sabe, quase sem querer, que eu quero o mesmo que você". Essa frase me pegou desprevenido. Quase que um soco no estômago; uma tontura. Isso porque, ontem à noite, descobri que não sei o que quero. E digo isso não de uma maneira ruim; digo porque sei como quero, mas não sei o que fazer para os devidos fins! Sei que quero o bem e o que é bom. Não quero causar danos; esse sou eu! E, nesse meio, me perco. Me perco, principalmente, em pensamentos. Meu maior perigo.

O Cointreau que agora tomo tem sabor de nostalgia. Seco, da garrafa empoeirada, esquecida no fundo do armário por um pai que não sente nele o mesmo que eu. Talvez porque, para eles, seja apenas uma bebida velha. Para mim, é algo mágico, feito e guardado cuidadosamente por tantos anos. Seu rótulo amarelado, manchado, seco e descascado, exerce sob meus olhos fascínio indescritível. E seu sabor; Ah!, seu sabor... Sabor de saudade, sim! Seco, doloroso. O líquido muito provavelmente é Cointreau há mais tempo do que eu sou Rafael. Seu sabor de memórias antigas, de recordações guardadas, de fotos cuidadosamente arranjadas em uma velha caixa de sapatos que é mantida sobre um velho armário num também velho quarto. São tantos devaneios!

Quero aquele abraço apertado e comprido outra vez. O aconchego do ombro. Mãos geladas, quem sabe?, às vezes vêm a calhar. A solidão de meu quarto, vazio, mesmo com dois viventes em seu interior, me inebria mais que qualquer droga. Mas não mais do que me inebriaria um abraço.
Aquele abraço.

Nenhum comentário:

Postar um comentário