segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A cópia de uma possível cópia

Creio que seja o primeiro texto copiado aqui do blog. Não que eu não vá mais produzir conteúdo, ou que essa será uma prática recorrente. Apenas achei um texto extremamente válido.
Peguei em uma publicação cuja existência foi breve, pois a autora (da publicação e, possivelmente, do texto) só disponibilizou-a por alguns minutos. Tive a sorte de estar ali, no momento certo, para ler palavras certas. Espero que ela não se zangue por eu tê-las reproduzido. Obrigado, dona Jhô ;)

"Sou dessas.
De poesias manchadas no guardanapo que interrompem bate-papo de bar. De foto três por quatro morando na carteira. De choro. De olho no olho. De amor à primeira vista. De gostar de abraços largos. De não dá-los. De vontades que explodem e preenchem o caminho de volta para casa, me fazendo perder o rumo. De madrugadas. De planos abertos pelo retrovisor do carro. De baixar a cabeça e fugir para o balcão. Duas cervejas e um copo. De dedos costurados dentro de uma sala de cinema escura. De nuca. De nunca mais vou beber. De flerte no meio de trombadas. De meias palavras. De tudo escrito. De tudo acabado desta vez. De voltar atrás. De olhar de longe. De fingir que não viu. De mentir que não fuça. De declarações duras. De tapas leves. Que dizem verdades. De acreditar em vou aparecer mais. De acreditar mais. De não rasgar fotos. De escrever pessoas em uma bexiga de gás e olhar para o céu enquanto elas se apagam de mim. De cair na mesma história. De novo. Do mesmo jeito. De não prevenir nenhum desgosto. De passar a borracha em um número de telefone. De esquecer que passou. De contar que passou. E esquecer também que contou. De ligações no dia seguinte. De ligações perdidas. De propósito. De alôs mais gagos que convites. Ao vivo. De desligar o telefone e deixar o silêncio dialogar. E de atacar as reticências às páginas brancas. De me conhecer só assim, já que sou dessas que gostam de."


P.S.: Descobri que o texto vem do blog Entre Todas as Coisas, o qual, por vezes, recomendo. Mesmo assim, continuo agradecido à Jhosy por me proporcionar sábia leitura!

Dois toques de corneta

"E eu sei que você sabe, quase sem querer, que eu quero o mesmo que você". Essa frase me pegou desprevenido. Quase que um soco no estômago; uma tontura. Isso porque, ontem à noite, descobri que não sei o que quero. E digo isso não de uma maneira ruim; digo porque sei como quero, mas não sei o que fazer para os devidos fins! Sei que quero o bem e o que é bom. Não quero causar danos; esse sou eu! E, nesse meio, me perco. Me perco, principalmente, em pensamentos. Meu maior perigo.

O Cointreau que agora tomo tem sabor de nostalgia. Seco, da garrafa empoeirada, esquecida no fundo do armário por um pai que não sente nele o mesmo que eu. Talvez porque, para eles, seja apenas uma bebida velha. Para mim, é algo mágico, feito e guardado cuidadosamente por tantos anos. Seu rótulo amarelado, manchado, seco e descascado, exerce sob meus olhos fascínio indescritível. E seu sabor; Ah!, seu sabor... Sabor de saudade, sim! Seco, doloroso. O líquido muito provavelmente é Cointreau há mais tempo do que eu sou Rafael. Seu sabor de memórias antigas, de recordações guardadas, de fotos cuidadosamente arranjadas em uma velha caixa de sapatos que é mantida sobre um velho armário num também velho quarto. São tantos devaneios!

Quero aquele abraço apertado e comprido outra vez. O aconchego do ombro. Mãos geladas, quem sabe?, às vezes vêm a calhar. A solidão de meu quarto, vazio, mesmo com dois viventes em seu interior, me inebria mais que qualquer droga. Mas não mais do que me inebriaria um abraço.
Aquele abraço.