terça-feira, 12 de outubro de 2010

Das mentiras

Uma amiga minha, Thamires, disse que precisava de textos de grandes autores pra um trabalho de português. Segundo ela, sou um grande autor (o.O), e ela queria que eu escrevesse um texto digno de ir pro trabalho. Cá está!

Escrevo-vos para avisar que o mundo como conheceis, há muito já não habito. Esse mundo tão irreal, tão ilusório, tão intangível, é palco de muitas mentiras, e estas dão razão a tamanha dor e sofrimento, que preferi afastar-me.
Afastei-me, sim. Afastei-me e criei a minha própria mentira, a minha própria ilusão. Construí minha própria história, a partir de minhas próprias estórias, para viver confortavelmente, de modo macio, sem sofrimento.
Assim sendo, enterrei preceitos e preconceitos, descobri falsas verdades e verdadeiras falsidades, para poder descobrir as reais verdades e as verdadeiras realidades. Descobri que não devo julgar, mas que não posso esperar não ser constantemente julgado por todos, apontando-me cruelmente o dedo à cara, dizendo-me "estás errado". Aliás, muito melhor seria, se fossem educados a esse ponto, mas, não, agem de modo a me fazer cair, a tentar provar a impossibilidade do possível, e esquecem-se de sua felicidade ao tentar sabotar a alheia.
Descobri que informações são preciosas, e que devem ser guardadas a sete chaves, sendo reveladas àqueles que obtiveram o merecimento. Descobri que os rancores mais bobos são aqueles que mais se afincam na memória do ser humano, porque caminhar por grandes pedras não fere os pés, enquanto caminhar em pedras pequenas causa dores lancinantes.
Descobri que viver a minha mentira é não apegar-me às alheias, e deixar que eles escolham que caminho suas mentiras devem tomar. Vivo a minha mentira, feliz, sem esperar que um dia eu descubra a verdade; Porque se a verdade for-me revelada, minha mentira ruirá.