quarta-feira, 6 de julho de 2016

Fé, Fidelidade, Felicidade

    Tanto fé quanto fidelidade têm a origem do latim "fides", que também se traduz como confiança. Assim sendo, fiel é aquele em quem sua fé pode ser depositada.
    Sabemos o que é fé, e sabemos o que significa depositá-la, mas, o que define a possibilidade de a depositarmos ou não? Creio que isso exija uma clarificação maior do conceito que usamos para a fé, um tanto diferente do original.
    Fé, seja em alguém, seja em uma entidade superior, é, para nós, uma medida de desespero, e também de calma. É confiar parte de nosso bem estar a algo ou alguém, e esperar sinceramente que esse algo ou alguém não nos decepcione, não traia essa confiança.
    Isso nos traz mais conceitos para se pensar. O que nos decepciona é algo muito pessoal, e da mesma forma passa a ser o significado de traição. Sendo assim, tão pessoal, é impossível que a outra pessoa conheça por completo a nossa definição, dado que há diferenças, e, portanto, que haja inteira concordância. Em outras palavras, nunca seremos plenamente atendidos em nossa fé e, portanto, ninguém nunca será realmente fiel, por mais próximo que chegue.
    Por isso, esqueçam os relacionamentos perfeitos, as relações interpessoais de harmonia plena, a imagem ideal de situação social. Sempre haverá frustração e decepção. E não se enraiveçam com a constatação. Não são coisas inteiramente ruins. Nos basta aceitar, analisar e aprender com cada uma delas, para que as chances de frustrarmo-nos e decepcionarmo-nos seja cada vez menor.
   
    Problemas sempre existiram. Sempre existirão, sempre existiram.


    (Sobre felicidade, a raiz "felicis" se traduz como afortunado, lembrando que fortuna não se trata de dinheiro, e sim de bons acontecimentos. A tradução para o nosso conceito de felicidade seria "beatitudinem", cuja palavra derivada na língua portuguesa, beatitude, ironicamente é tida como algo afastado do conceito dado para felicidade)

 P.S.: Conversei sobre o assunto com meu querido amigo Rômulo "Jesus", e ele deixou o questionamento (ainda não respondido) "seria a beatitude palavra análoga a boa atitude?". Muito perspicaz.

sábado, 2 de julho de 2016

"Acidistic", e daquilo que eu nunca disse aos cariocas

You have the brightest set of pencils,
even when my world is all about grayscales and sober tones.

You paint your world. You paint the entire world. Would you put your colors into mine?


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Nunca cheguei a colocar em palavras meu sentimento sobre toda essa história do Rio de Janeiro.
Acho que nem eu sei direito como é.
Sei que sinto saudade de coisas, de pessoas, de sensações que só existem lá.
Ver o sol nascendo no Arpoador parece ter um efeito mágico sobre mim.
Copacabana me fez mudar a maneira de pensar desde a primeira noite em que lá senti os pés na areia.
Mas a vida não é feita só de momentos. A vida é um contínuo, e, por isso, é impossível não lembrar dos maus bocados que por lá passei. Eu precisaria de um motivo muito mais forte se quisesse enfrentar a vida daquele jeito.
Aos cariocas da minha vida: amo vocês ♥ Nunca vou conseguir retribuir tudo o que fizeram por mim. O modo como me receberam. O quanto eu cresci nesses meses. Espero mesmo que venham me visitar, como alguns já fizeram, e espero eu dar uma pausa nos trabalhos pra ir ver como vocês estão.
Alguns começaram namoros, outros terminaram. Alguns começaram a trabalhar, outros resolveram ter uma folga. Sei de gente que tá fazendo sucesso por lá.
Porque a vida é um contínuo, e eu vou continuar vivendo.
 
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Um mundo cru.
Um pouco cruel.
Sem tratamento,
Sem cada nuance,
Sem cada detalhe.
Um mundo cru.

Nada se vê.
Nada se faz.
Nada se sente.
Um mundo cru.

Por que seria?
Digo, por que haveria de ser?
Sabendo que, num mundo cru,
Não poderia haver eu e você?!

quinta-feira, 24 de março de 2016

Dos fins, dos meios, dos medos

Acho curioso como normalmente os fins não justificam os meios, mas, mesmo assim, há casos em que podemos "pular" os meios, fazermos os fins, e tudo o que havia no meio se resolve por si só.
Isso se dá em grau ainda maior para pessoas e seus medos: costuma ser um tanto quanto demorado decidir enfrentá-los, então, quando outro alguém toma a decisão no lugar da pessoa, esta logo percebe que não há mais motivo para tal medo.

Sei lá, penso dessa forma há tempos, talvez seja útil pra mais alguém. Chega de abafar.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Parágrafos de uma segunda-feira chuvosa

"Criador, por que crias a dor?", pergunta o guru dos tolos. E, logo em seguida, maldize-o, pois tem como resposta apenas o vácuo.
Mal sabe que a resposta está justo na sua ausência. Tal qual o calor, só sabemos que não há dor após termos sentido-a. E, só assim, experientes, valorizamos a sua ausência. É como uma recompensa: não trazer dor normalmente é um bom indicador em qualquer ação que tomemos, e, tão logo disso sabemos, só então avaliamos o quão bem tal ato fez.
Exatamente, meus caros: a dor foi feita para não ser sentida. E, não sentindo, sermos felizes.




Pois sois um universo, e, um universo sendo, sede expansível. Descontente-se com os limites, inclusive os por vós impostos, e lembre-se de conter em si o brilho de todas as estrelas, a ardência de cada uma delas, sem deixar de irradiar sua energia. Contenha histórias, faça com que um átimo de tempo, por mais infinitesimalmente pequeno, seja um período cuja vivência seja válida, e que válido também seja seu registro. Viva, pois sois um universo, e de que serviria um universo, senão à vida?



Estive relendo o último texto, e queria deixar registrado que, apesar de ainda não saber exatamente quem sou, creio que esteja muito mais próximo de descobrir, e que isso, por si só, não me fez feliz. Entretanto, serviu como ferramenta, como um guia, para que eu saiba direcionar minhas ações e, aí sim, ser genuinamente feliz.

sábado, 3 de outubro de 2015

Das mudanças de cidade e de vida

Eu já não sei mais direito quem sou. Sei direitinho quem eu não sou, por mais que eu às vezes reproduza alguns dos meus comportamentos antigos.
O tempo sozinho numa cidade hostil como o Rio de Janeiro (hostil pra quem não tem grana pra torrar) me endureceu, me amargou. E eu, que vivia só sorrisos e nunca encontrei dificuldades em ver motivos pra viver, me acho vazio.
"O que te fazia rir, hoje já não tem mais graça". Sei que não mudei sozinho, que o que antes me cercava hoje também está diferente. Mesmo assim, quase tudo o que antes me alargava o sorriso hoje me causa uma irritação.
Tenho estado impaciente, também. Impaciente justo por sentir falta da felicidade costumeira, por ansiar seu retorno. Mas, sem ter muito em que me abraçar, me perco em pensamentos nervosos.
Não me entendam mal, entretanto. Tenho, sim, motivos pra ser muito feliz. Tenho uma namorada maravilhosa, tenho um teto sob a minha cabeça, não passo fome, não passo frio, e as questões de sustento e futuro me vêm com uma facilidade incrível. Mas isso não me mantém ocupado, e, bem sabemos: mente ociosa é um tanto quanto perigosa.
E é nesses perigos que me perco.

P.S.: Vá em paz, Lennon. A paz que tu nunca encontrou em vida. Sei quem tu foi, e, mesmo assim, sei que tu era família. Onde quer que esteja, cuida do pai.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Aprendizado do dia

Estava eu em uma das costumeiras crises inerentes àquele que vai morar longe mas não se desvincula do local de origem, quando percebi que até hoje não sei viver um relacionamento.
Sim, eu definitivamente nasci pra amar e ser amado. Quanto a isso não restam dúvidas!
Mas, nessa minha curta experiência de alguns poucos anos de namoros, olho pra trás e percebo que em cada um deles eu buscava algo. Crescimento e experiência, na maior parte das vezes. Sexo, atenção e carinho, também. E quem não busca?
O problema é que, até então, isso suplantava a busca pela alegria mútua. Pelo aproveitamento do tempo a dois. Pela valorização dos nossos momentos.
E, pois bem, não vivi nada mais frustrante do que chegar em um final percebendo que deveríamos ter aproveitado nosso namoro.

Certamente que sou grato pelo que se passou nesses namoros, mas, percebo que é hora de me mudar. É hora de valorizar o nós mais que a busca pelo que me satisfaz em um namoro, afinal, se o nós não bastar, o relacionamento deixa de ser válido e passa a ser apenas útil.
Mais que isso, é hora de me curar de alguns defeitos patológicos e desesperadores, como a intolerância à frustração e a necessidade mórbida de aproveitar cada oportunidade que me é dada (mesmo quando as consequências não me valem de nada).
É hora de ser mais feliz.
E, ainda mais: é hora de sermos felizes ♥

terça-feira, 7 de julho de 2015

A aerodinâmica do meu rosto

Estava eu na UFRJ, sentado, em um sábado deserto, esperando o ônibus que me levaria à zona sul.
Sentia o vento que batia em meu rosto e me provocava sensações agradáveis.
Lembrava da noite anterior, e da noite anterior à essa, e ria, maravilhado com a velocidade com que toda uma situação ruim transformou-se em uma aventura gostosa de ser vivida.
Eis que, de uma lufada de vento, ergue-se uma onda de areia. Ela cruza a minha frente, sem, entretanto, me tocar, e meu sorriso se alarga.
Pus-me a pensar. Lembrei-me que essa mesma areia que cruzou meu caminho, essa mesma areia sobre a qual caminho, todos os dias, pode ter estado na África, tempos atrás.
Essa mesma areia pode ter estado em Pangeia.
Esse vento que a ergueu pode ter sido um tempestuoso tufão no Japão.
Cada um dos elementos que formam a areia, o ar, e mesmo eu, podem ter se originado nos primeiros acontecimentos do universo.
Uma sensação de pertencimento me invadiu.
Pertenço a esse mundo e tudo pertence a mim, como eu pertenço a tudo.
Encontrei um pouco de mim em cada coisa, desde então.
Me reconhecer me deixa feliz e, portanto, desde esse momento sou só sorrisos.
Sou só amores.
Sou só gratidão.

Minha família se estende além do que eu posso enxergar.
Essa percepção me salvou.
Como diz meu querido amigo Carancho: "o Rio de Janeiro é uma cidade que te engole".
Pois, vai ter que me engolir!

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Home is where your heart is

Conheço essa frase há tantos anos... Mas nunca ela me fez tanto sentido quanto faz agora.
Deixei meu coração no Rio Grande do Sul, in every possible way. Família, irmãos por opção, minha namorada. Costumes, paixões, modos de viver e de levar a vida. Liberdade.
Tudo isso me completa e, aqui onde hoje estou, me faz falta.
Me descubro cada dia mais obcecado por aprender tudo o que puder, logo, rápido, para, quem sabe, viabilizar um retorno antecipado à terrinha.
Ver minhas afilhadas, brincar com meu irmão (e descobrir de novo que ele cresceu e tomou meu lugar, me enchendo de orgulho). Tomar um chimarrão com a vó, ou uma Polar e um Xis Picanha com o Ozga, falando sobre tudo e sobre nada em especial. Passear pela chácara, rever a casa que um dia seria minha, mas que, por destino um tanto quanto previsível, nunca ficou pronta e, se um dia ficar, não será por nossas mãos.
Ver o dindo cantar, e eu mesmo pegar meu violão, nem que seja só pra arranhar as cordas. Gincanear ao lado de grandes mentes e, com elas, me tornar sempre mais. Ver a minha prainha, de água limpa e parcerias infinitas (mas que, outra vez o destino, cada vez em menor número).
Curtir um domingo frio com pinhão e lareira. Dar uma banda pela serra e me maravilhar com a vista. Acelerar na freeway só pra sentir o vento na cara.
Tudo isso me assalta, turbulentamente. Essas vontades que só podem se satisfazer em casa...

Mas não pensem que isso é um lamento. Longe disso, são apenas vontades! Me sinto feliz de saber que, mesmo com dificuldade tamanha, tenho a força de seguir aqui.
Não tem sido fácil, mas, percebo que também não tem sido ruim. Incompleto, apenas.
Mas sei que volto, ainda mais apto a viver, a trazer felicidade não só pra mim, a fazer o que eu gosto e ganhar dinheiro com isso, a construir e realizar sonhos dos mais diversos, sejam eles simples ou não.

Por ora, vou ali comer um algodão doce :)

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Saudações

Acabo de chegar em casa.
Um dia atípico como o de hoje mereceu um final tão atípico quanto.
E o foi.

Anoiteceu.
Fui à praia. Pela primeira vez, pisei meus pés em areias cariocas.
Me exercitei. Treinei acrobacia. Percebi que perdi a força que tinha. Me alonguei. Percebi que voltei a estar curto.
Comi um xis no Quiosque do Gaúcho. Quase gaúcho, o xis. Mesmo assim, aceitável.
A trilha sonora da refeição foi Barão Vermelho. Preciso reafirmar:
"Saudações a quem tem coragem,
Aos que estão aqui pra qualquer viagem!
Não fique esperando a vida passar tão rápido!
A felicidade é um estado imaginário!"
E, para ser mais agradável, a vista da refeição foi o panorama da Baía de Guanabara. As luzes acesas, piscantes. Os picos desde Niterói ao fim do Rio de Janeiro. O Cristo Redentor (ou "Crishto", como chamam por aqui).
Vi uma estrela cadente.
Sei bem o meu desejo.



Com o perdão do sumiço, sinto que me entreguei.
Não consigo manter um diário, ou relatos em geral, porque a percepção da rotina me afoga.
Preferi viver essa rotina. Sem pensar muito no que deixo para trás, para não sofrer.
Sim, apenas finjo que nada está acontecendo, e, como que por mágica, nada acontece. O sofrimento fica de lado, só reaparecendo quando visito o meu Sul e torno à vida medíocre daqui.
Por sorte, tenho alguns bons amigos.
Por sorte, tenho o Minerva Baja pra me salvar.
(Pra quem desconhece, pesquise no Facebook e no Instagram, dê seus likes, e me deixe grato)
E, agora, por sorte, encontrei um meio de (quem diria?) estudar. Tem consumido muito tempo.

Mas não pense que os abandono. Não, isso nunca!
Apenas parei de correr atrás. Pus fim à frustração.
Espero que estejam mais felizes que eu.